terça-feira, 29 de setembro de 2009

- Cartas na mesa



E eu aposto que você nunca se lembrará, de coisas que eu nunca esquecerei.
Eu escolhi viver apesar do que o tempo fez sem você, voltei para os bons amigos, despertei desejos em outras pessoas, reinventei uma pessoa que quase fui, e que hoje quase sou eu. Fiquei alguns dias sem comer, cantei músicas que não gostava, comi demais e comecei a chorar. Eu fiz da cidade um palco desde que você se foi, e eu dancei demais sobre a complacência que ainda restava em mim, eu esmigalhei minha benevolência e apenas o bagaço sobrou. Hoje como a prostituta largada no quarto de motel, sai pegando meus trapos rasgados e recolhendo aquilo que me devem por quase merecimento, e até ganhando um agrado por compaixão. Mas, quem quer viver da compaixão alheia? Compadecer é sugar da dor dos outros até que aquilo se transforme em algo aparentemente bom. Na verdade tudo o que eu quis era não precisar ter me reinventado, ou talvez te reinventado em mim.
Ainda tenho dúvidas, ainda tenho minha pele jovem mesmo que não seja para sempre, tenho alguns trocados que me restaram da bebedeira do fim de semana, mantenho a minha mente trabalhando e pelo menos lá você não pode me atingir. Essas são as marcas deixadas pelo aprendizado proveniente do sofrer, e contra certas coisas você não deve lutar.
Mas, quanto a mim? Eu ainda sei apostar.