Às vezes quando as luzes de seu quarto estão apagadas, ela pode enxergar melhor pela luz embaixo da porta. Dá para perceber quando as pessoas andam pela casa pelo oscilar do brilho. Se alguém vem falar com ela, é fácil enxergar a presença da pessoa antes mesmo dela tocar a fechadura, questão de segundos. Assim ela pode escolher por atender quem acaba de abrir a porta, ou fechar os olhos e por uma fração de segundo fingir que dorme um sono pesado, um pesadelo. A luz indica também, se é dia ou apenas uma lâmpada acesa, aquela luzinha diz mais do que se pode falar.
Eu fico esperando todas as pessoas pelo brilho embaixo da porta. Eu espero príncipes, e demônios. Certas vezes eu espero meu pai, da para saber se ele está voltando da cozinha ou entrando em seu quarto. Quantos dias eu esperei que fosse você que viesse me ver? Que a sombra de seu corpo apagasse por cinco segundos o brilho daquela luz plácida porque sua presença ali espera para tocar a fechadura e abrir a porta, seu corpo interropendo a passagem da luz. Oscilação. Você não veio, e enquanto isso eu fico a admirar a luz... Aquela luz que indica que você nunca chegará, não você nunca virá me ver.
Obs: Ouça Blackberry Stone - Laura Marling
domingo, 6 de setembro de 2009
- Luzes embaixo da porta
Postado por Isabella Achcar às 14:00
