quarta-feira, 28 de outubro de 2009

- Porta Secreta

Você não acredita, e eu por cinco minutos desacreditei também. Vejamos bem aonde eu vim parar, porém ainda estou em pé certo? Todo dia eu levanto com dificuldade, ainda não me acostumei bem nessa de andar sobre as próprias pernas, de não contar com ninguém além de mim mesma. Está sendo uma grande lição, e quando eu terminar de aprender nós vamos ficar juntos. Não que eu preveja o futuro, mas apenas existem dois caminhos: o fim desse doce sabor do ‘’gostar’’de quem acha que conhece o outro mais ainda quer explorar, ou a volta dessa exploração que advém do gosto bom de gostar desse alguém. Sou nova o bastante para sonhar com a segunda opção quando eu acordo e vejo que algum tempo se passou e nada apaga. São muitos quilômetros, muitos dias, muitas pessoas, muito passado. Eu quis te manter ao meu lado enquanto eu conhecia o mundo novo de uma garota de 13 anos. E ainda me lembro do dia que tu me perguntara se eu abdicava de qualquer curiosidade adolescente pra ficar com você e só com você... Eu respondi um sim cheio de não, e esgueirei fundo na vontade de viver um mundo de alguém que se via cheio de argumentos para isto. Foi ai que eu quis te encaixar nesse mundo que sempre te desconheceu, e que nunca vai te conhecer, AINDA BEM! Nada preencheu o vazio que existia, nada preenche a cratera funda que ficou depois que eu te dei passe livre pra ir embora, passe livre pra se desgrudar de mim. Mas ficou aquela sujeira de grude na minha roupa velha que eu nunca tive coragem de lavar. E eu continuo mantendo a mancha confiante de que um dia agente a limpe juntos. Eu continuo com as mãos rasgadas depois de tantos murros em pontas de facas, tantos tiros no escuro, tantas fugas infundadas. Num tempo atrás quando saudade ainda não era viciada em internet, existia o esquecimento rápido, ou pelo menos a falta de comunicação que ajudava nesse ‘’esquecer’’; se mudava de cidade e pronto, se perdia o contato. Não funciona mais, pelo contrario, me vejo perto querendo abraçar uma tela fria e palavras de uma pessoa que eu não conheço mais, ante a toda a cordialidade barata que esses meios de comunicação nojentos podem nos proporcionar, cordialidade aquela que você ainda insiste em alimentar... Tem se tornado difícil pra mim, como todo o peso que eu acho que tenho que carregar, mas na verdade não, não sei. Mas eu sei bem que fui única, a única que sentiu sua falta pungente, a princesa abandona o príncipe que a carrega de volta para o castelo mais distante no topo da torre mais alta... Eu me envergonho de catar ate as migalhas da sua atenção, e eu toda prazerosa, aberta; qualquer pergunta, qualquer duvida. Eu continuo te amando... Acho que foi bem isso que eu lhe escrevia, naquele sonho assustado.

Se isto não é amor, se tempo não é amor, se insistência não pode ser amor... O que mais pode ser? Ah sim, concordância pode ser amor, não pode? Desfiles de uma tola.