O meu platônico, o meu incerto. Viver em você e viver a vida que realmente existe, o palpável, o respirar pesado. Dividir-se para não abster-se. Difícil demais para mim, uma criança, que apesar dos pesares, ainda é somente alguém tentando crescer em meio ao que cresce ao seu redor. E se para compreender-te eu deveria ser você, então o que faço se eu ao menos sei quem sou? Eu seria sua vida, se eu encontrasse o encaixe que me permitiria abrir a porta. Todos os dias eu tento viver sem tentar participar do seu abstrato. Então sou sugada diretamente de volta ao buraco negro que é você. A busca incessante para voltar a ser o seu par. Tu mal sabes que talvez, precise da minha busca pra se alimentar. Se alimentar de você, e da sua tristeza calma que se alastra pelas paredes do seu quarto. Mas eu tenho que viver, me desculpe amor, todos os dias a vida bate em minha porta e eu peço para ela voltar outra hora, porém um dia ela cansará. É quando só sobrará você que nem sequer almeja ser meu. Então eu respirarei para que? Para tentar? Tentar ser enxergada? Ou até mesmo ser enxergada, mas não ouvida? Quando você decidir-se entre as paredes frias do seu quarto, ou os piqueniques que poderíamos dar a luz do sol, talvez você perceba o que não quer ver. Eu sempre estive aqui criando dois mundos só pra poder te manter por perto, exatamente da maneira que você quer. E fazendo por onde te mostra que se você realmente quisesse, poderia ser meu único mundo.
